Afonso Mendes de Besteiros


Já lhi nunca pediram
o castel'a Dom Foam;
ca nom tinha el de pam
       senom quanto queria;
5e foi-o vender, de pram,
       com mínguas que havia.
  
Por que lh'ides [a]poer
culpa [por] non'[o] teer?
Ca nom tinha que comer
10       senom quanto queria;
e foi-o entom vender
       com mínguas que havia.
  
Travam-lhi mui sem razom
a home de tal coraçom:
15"Em fronteira de Leon",
       diz, "com quen'o terria?"
E foi-o vender entom
       com mínguas que havia.
  
Dizem que lh'a el mais val
20esto que diz, ca nom al:
"Em cabo de Portugal",
       diz, "com quen'o terria?"
E vende[u]-o entom mal
       com mínguas que havia.



 ----- Aumentar letra

Nota geral:

Uma das três cantigas que, no cancioneiro satírico, fazem diretamente referência ao comportamento dos alcaides na crise que levou à deposição de D. Sancho II. Ligados, em princípio, ao rei pelo juramento de fidelidade prestado, os alcaides acabaram, de facto, por entregar os seus castelos ao Conde de Bolonha, futuro D. Afonso III. Esta cantiga denuncia os falsos pretextos de um desses alcaides: a suposta falta de mantimentos e de homens.
Tudo indica que esta e as duas outras cantigas teriam sido compostas no círculo do infante Afonso (futuro Afonso X), quando, em 1246, entrou em Portugal, em auxílio de D. Sancho II.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Escárnio e maldizer
Refrão
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1559

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1559


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas