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João Vasques de Talaveira, Pedro Amigo de Sevilha


- Ai, Pedr'Amigo, vós que vos teedes      ←
por trobador, agora o verei      ←
eno que vos ora preguntarei      ←
e no recado que mi tornaredes:      ←
5nós que havemos mui bom rei por senhor,      ←
e no-lo alhur fazem emperador,      ←
dizede-mi ora quant'i entendedes.      ←
  
- Joam Vaásquiz, pois me cometedes,      ←
direi-vos eu quant'i entend'e sei:      ←
10pois nós havemos aquel melhor rei      ←
que no mund'há, porque nom entendedes      ←
que o seu prez e o seu valor      ←
todo noss'é, pois emperador for?      ←
O demo lev'o que vós i perdedes!      ←
  
15- Ai, Pedr'Amigo, eu nom perderia      ←
em quant'el-rei podesse mais haver      ←
em bõa terra e em gram poder,      ←
 ca quant'el mais houvesse, mais valria;      ←
mais perde o rein'e vós perdedes i,      ←
20os que sem el ficaredes aqui,      ←
pois que se el for d'Espanha sa via.      ←
  
- Joam Vaásquiz, eu bem cuidaria      ←
que o reino nom há por que perder      ←
por el-rei nosso senhor mais valer,      ←
25ca rei do mund'é, se se vai sa via!      ←
Valrá el mais, e nós [já] per el i;      ←
de mais quis Deus que tem seu filh'aqui,      ←
que se s'el for, aqui nos leixaria!      ←
  
- Ai, Pedr'Amigo, pois vos já venci      ←
30desta tençom que vosco cometi,      ←
nunca ar migo filhedes perfia.      ←
  
- Joam Vaásquiz, sei que nom é 'ssi      ←
desta tençom, ca errastes vós i      ←
e dix'eu bem quanto dizer devia.      ←



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Nota geral:

Tenção que tem como tema os longos e malogrados esforços de Afonso X para aceder à coroa do Sacro Império Romano-Germânico. Ao contrário do habitual, esta tenção não é satírica - bem pelo contrário, é antes um panegírico que os dois intervenientes fazem ao seu rei. De qualquer forma a "discussão" que desenvolvem (e na qual ambos estão basicamente de acordo, um receando perder tam bom rei, outro congratulando-se com a honra que Espanha receberia) é um dos poucos testemunhos diretos de um dos temas políticos centrais do reinado de Afonso X - e que, com esta exceção, os trovadores parecem ignorar.
A composição, como se depreende das alusões à partida iminente do rei, datará provavelmente de 1274, quando Afonso X se preparava para ir a Beaucaire negociar pessoalmente a questão com o papa Gregório X. Acrescente-se que as conversações entre ambos tiveram lugar entre maio e julho do ano seguinte, mas foram infrutíferas, acabando o monarca castelhano por renunciar definitivamente às suas aspirações ao cargo.



Nota geral


Descrição

Tenção
Mestria
Cobras doblas
Finda (2)
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1550

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1550


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas