Cantiga referida em nota
  (linha 21)

D. Dinis


 Joam Bolo jouv'em ũa pousada
bem des ogano que da era passou,
com medo do meirinho, que lh'achou
  ũa mua que tragia negada;
 5pero diz el que se lhi for mester
que provará ante qual juiz quer
que a trouxe sempre dês que foi nada.
  
Esta mũa pod'el provar por sua,
que a nom pod'home dele levar
10pelo dereito, se a nom forçar,
ca moram bem cento naquela rua,
per que el poderá provar mui bem
que aquela mua, que ora tem,
que a teve sempre, mentre foi mua.
  
15Nõn'a perderá se houver bom vogado,
 pois el pode per enquisas põer
como lha virom criar e trager
 em cas sa madr[e], u foi el criado;
e provará per maestre Reinel
20que lha guardou bem dez meses daquel
cerro, ou bem doze, que trag'inchado.



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Nota geral:

Primeira de um pequeno ciclo de três cantigas onde D. Dinis satiriza um tal João Bolo a propósito de um negócio de cavalos e mulas. As três composições, que foram tradicionalmente lidas de uma forma inocente, jogam, de facto, com um cerrado equívoco erótico, baseado no duplo sentido que o termo mula tinha na época (amante ou barregã), como bem demonstrou Elsa Gonçalves1.
Nesta primeira composição, João Bolo defende-se da suposta acusação de ter roubado a sua "mula", argumentando que desde sempre ela lhe tinha pertencido, mesmo desde casa da sua mãe. Nas restantes cantigas, onde à mula se junta um cavalo, parece haver ainda referências a relações homossexuais.

Referências

1 Gonçalves, Elsa (1991), "A mula de Joan Bolo", in Poesia de rei: três notas dionisinas, Lisboa, Edições Cosmos.



Nota geral


Descrição

Escárnio e Maldizer
Mestria
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1535
(C 1535)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1535


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas