Antroponímia referida na cantiga:
  (linha 15)

Vasco Peres Pardal


 Senhor, Dom Ansur se vos querelou      ←
por couces muitos que lhi for[om] dar;      ←
 mais, por Deus, mandad'ora justiçar      ←
por en daquel que os couces levou:      ←
 5ca o foi ferir um home mui vil,      ←
mais, por um couce, dem or'aqui mil      ←
a Dom Ansur, pois gram torto tomou.      ←
  
E, senhor, nunca Dom Ansur cuidou,      ←
seendo vós na terra e no logar,      ←
10que lh'os couces nom mandassem dobrar      ←
os alcaides; mais, pois que vos achou,      ←
por Deus, mandad'agora vós por en      ←
por um couce que mil couces lhi dem,      ←
pois Dom Ansur per justiça i minguou.      ←
  
 15E Airas Veaz non'o seelou,      ←
mais agora já qué-lo seelar;      ←
e vós mandade-lh'os mil couces dar,      ←
 ca bem os aqui el os outros dou;      ←
e pois s'el veo querelar assi,      ←
20taes mil couces lev'ora daqui      ←
que diga pois: - Com meu dereito vou.      ←



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Nota geral:

Continuando a cantiga anterior, novo equívoco sobre D. Ansur, que, pelos vistos, se queixava de ter sido agredido e pedia justiça ao rei. Aparentemente, o trovador parece apoiar o seu pedido de que o rei mande castigar o agressor, aplicando-lhe a pena de levar mil vezes os pontapés que D. Ansur teria levado. De facto, toda a cantiga pode ser lida em sentido oposto: Vasco Peres acha insuficientes os coices que ele terá recebido e pede ao rei que lhe dê mil vezes mais. As duas leituras dependem muito do duplo sentido que assume o verbo "dar" (conceder como desforra/aplicar).



Nota geral


Descrição

Cantiga de Escárnio e maldizer
Mestria
Cobras uníssonas (rima c singular)
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1508

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1508


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas