Cantiga referida em nota
  (linha 21)

Vasco Peres Pardal


Vedes agora que mala ventura
de Dom Fernando, que nom pod'haver
 físico que lh'ora possa tolher
 aqueste mal que há de caentura;
5pero dizem os físicos atal:
que o guarria mui bem deste mal
 quem lh'o corpo metess[e] a ventura.
  
E deste mal sempr[e] é mui coitado,
e nom guarrá já del, se nom houver
10home que lhi dê quanto lh'é mester;
 mais aquesto tem el mui desguisado:
 ca, pero muitos físicos há 'qui,
se lh'o corpo nom aventuram i,
nom guarrá já, ca jaz desacordado.
  
15E pesa-m'ende, par Santa Maria,
deste seu mal, ca mi dizem que nom
pode guarir, se maestre Simiom
o nom guarisse; mais vos en diria:
já lhi nom pode nulha rem prestar,
20se lh'o maestre nom aventurar
o corpo, ca x'há mui gram maloutia.



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Nota geral:

Sátira, em forma de equívoco médico, contra um homossexual. Trata-se, neste caso, de lhe curar a febre (a caentura, ou calor) e os físicos entram à baila com sugestões.
Se este é o sentido geral, a cantiga repousa, no entanto, sobre um jogo com as expressões ventura, aventurar o corpo, meter a ventura, cujo sentido não é muito claro para nós. Talvez se trate, num primeiro sentido literal, de uma referência técnica a qualquer tipo de tratamento, no caso, o de apanhar vento, ou ar fresco (que lhe tiraria o calor). De qualquer forma, o equívoco parece aludir sobretudo ao próprio corpo dos médicos que se encarregariam do doente (neste caso, talvez D. Fernando andasse assediando o Mestre Simiom referido na terceira estrofe).



Nota geral


Descrição

Cantiga de Escárnio e maldizer
Mestria
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1505
(C 1505)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1505


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas