Antroponímia referida na cantiga:
  (linha 1)

João Garcia de Guilhade


 Dona Ouroana, pois já besta havedes,      ←
outro conselh'ar havedes mester:      ←
vós sodes mui fraquelinha molher      ←
e já mais cavalgar nom podedes;      ←
 5mais, cada que quiserdes cavalgar,      ←
mandade sempr[e] a besta chegar      ←
a um car[v]alho, de que cavalguedes.      ←
  
E cada que vós andardes senlheira,      ←
se vo'la besta mal enselada andar,      ←
10guardade-a de xi vos derramar,      ←
 ca, pela besta, sodes soldadeira,      ←
e, par Deus, grave vos foi d'haver;      ←
 e punhade sempr'en'[a] guarecer,      ←
ca em talho sodes de peideira.      ←
  
15E nom moredes muito [e]na rua,      ←
este conselho filhade de mim,      ←
 ca perderedes log'i o rocim      ←
e nom faredes i vossa prol nẽũa;      ←
 e mentr'houverdes a besta, de pram,      ←
 20cada u fordes, todos vos farám      ←
honra doutra puta fududancua.      ←
  
E se ficardes em besta muar,      ←
eu vos conselho sempr[e] a ficar      ←
ant'em muacho novo ca em mua.      ←



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Nota geral:

Conselhos à soldadeira Ouroana, no seu novo estatuto de proprietária de um cavalo. Os conselhos roçam obviamente o obsceno, em todas as suas modalidades (a partir do duplo sentido do termo besta).



Nota geral


Descrição

Cantiga de Escárnio e maldizer
Mestria
Cobras singulares
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1499, V 1109

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1499

Cancioneiro da Vaticana - V 1109


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas