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Airas Peres Vuitorom


 Correola, sodes adeantado      ←
em cas del-rei do ma[l] que s'i fezer;      ←
 e caeredes en'este mester,      ←
 se me creverdes, que est aguisado:      ←
5se algum home virdes mal fazer,      ←
nom lho leixedes, a vosso poder,      ←
ante o vós fazed'a vosso grado.      ←
  
 E se souberdes u contangem dado,      ←
que quer alguém perder o que trouxer,      ←
10 sabed'u é, de quem vo-lo disser,      ←
e log'ide vosso passo calado      ←
e nom leixedes i nada perder      ←
senom a vós; e, a vosso poder,      ←
ante vós i ficade desbragado.      ←
  
15E todavia seed'acordado:      ←
se algum home pelejar quiser      ←
aqui com outrem, seja cujo quer,      ←
 aqui punhad'em seer esforçado;      ←
e quem quiser a peleja volver,      ←
20log'entrad'i e, a vosso poder,      ←
 vos saíd'en com o rostro britado.      ←
  
E pois tod'esto vos hei conselhado,      ←
conselho-vos que tragades molher      ←
destas daqui, se peior nom veer,      ←
25a que achardes i mais de mercado;      ←
e se tal molher poderdes trager,      ←
será mui bem, e punhad'en poder,      ←
ca per i é vosso preit'acabado.      ←



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Nota geral:

A pretexto de ir incitando o adiantado real a reprimir com firmeza todos os crimes (malfeitorias, jogo, brigas, mulheres de má fama), Airas Peres de Vuitorom acaba por, maliciosamente, lhos assacar. Note-se ainda a irónica insistência (o dobre) na expressão a vosso poder, repetida no final do sexto verso de cada estrofe (na última com uma ligeira alteração).
Não sabemos exatamente quem é este adiantado real a quem Vuitorom dirige esta cantiga, nem qual o contexto da mesma. Lapa1 e, na sua sequência, Vicenç Beltran2, sugeriram que seria talvez o mesmo Fernão Dias, a quem o trovador dirige uuma outra cantigaa propósito da sua nomeação para um cargo semelhante (Correola podendo ser, neste caso, uma alcunha). Mas é difícil termos qualquer certeza.

Referências

1 Lapa, Manuel Rodrigues (1970), Cantigas d´Escarnho e de Maldizer dos Cancioneiros Medievais Galego-Portugueses, 2ª Edição, Vigo, Editorial Galaxia.

2 Beltran, Vicenç (2000), “Estéban Fernández de Castro y Fernán Díaz Escalho”, Madrygal: Revista de Estudios Gallegos, 3, Madrid, Universidad Complutense, servicio de Publicaciones.
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Nota geral


Descrição

Cantiga de Escárnio e maldizer
Mestria
Cobras uníssonas
Palavra(s)-rima: (v. 6 de cada estrofe)
poder
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1482, V 1093

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1482

Cancioneiro da Vaticana - V 1093


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas