Cantiga referida em nota
  (linha 28)

Mem Rodrigues Tenoiro


Dom Estêvam achei noutro dia
 mui sanhudo depós um seu hom'ir;
e sol nom lhi pôd'um passo fogir
aquel seu home depós que el ia;
5e filhou-o i pelo cabeçom
e feriu-o mui mal d'um gram bastom
que na outra mão destra tragia.
  
E Dom Estêvam assi dizia
a nós, que lho nom leixámos ferir
10mais: - Quero-vos eu ora descobrir
com'este vilão migo vivia:
mais era eu seu ca era el meu,
e muit'andava mais em pós el eu
ca el pós mi, pero xi m'el queria.
  
15E o vilão entom respondia
com'agora pode[re]des oír:
- Mui gram mal fazedes em consentir
a est'hom'o torto que mi fazia;
 ca, dê'lo dia em que o eu sei,
20sempr'a gram coita deante lh'andei,
e el sempre deante me metia.
  
E veed'ora, por Santa Maria,
se hei poder de com el mais guarir,
ca me nom poss'um dia del partir
25de mi dar golpe, de que morreria,
d'um gram pao que achou nom sei u;
 e, pois s'assanha, nom cata per u
feira com el, sol que lh'home desvia.



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Nota geral:

Este D. Estêvão a quem esta cantiga é dirigida é um dos alvos prediletos dos trovadores e jograis afonsinos que, entre outras coisas, aludem à sua alegada homossexualidade, geralmente em forma de maliciosos equívocos. É o caso desta cantiga que relata as desavenças entre um intratável D. Estêvão e um seu criado, e que se baseia na discussão de quem devia andar atrás de quem.
Quanto à identidade deste D. Estêvão e ao contexto em que se insere o ciclo de cantigas que lhe são dirigidas, veja-se a explicação que fornecemos na Nota Geral a uma das composições de Airas Peres de Vuitorom (bem como a nota antroponímica ao v. 1).



Nota geral


Descrição

Cantiga de Escárnio e maldizer
Mestria
Cobras uníssonas (rima c singular)
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1472, V 1083

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1472

Cancioneiro da Vaticana - V 1083


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas