João Airas de Santiago


Dom Pero Núnez era em Cornado
e ia-s'a Santiag'albergar;
e o agüiro sol el bem catar,
ca muitas vezes l'houv'afaçanhado;
5e indo da cas[a] ao celeiro,
houv'um corvo viaraz e faceiro,
de que Dom Pero nom foi rem pagado.
  
E pois lo el houve muito catado,
diz: - Deste corvo nom posso escapar
10que del nom haja 'scarnho a tomar,
com gram perda do que hei gaanhado,
ou da maior parte do que houver,
per ventur', ou do corpo ou da molher,
segund'eu hei o agoiro provado.
  
15E tornou-se contra seu gasalhado
e diz: - Amiga, muit'hei gram pesar,
ca me nom posso de dano guardar
deste corvo, que vejo tam chegado
a nossa casa, pois filha perfia
20e corvej'aqui sempr'o mais do dia
e diz de noute "Crás, crás", [a]fumado!



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Nota geral:

A mesma figura do "corvo" da cantiga que a precede nos mss.scritos, agora ave de mau agoiro para um marido que resolve adiar, por sua causa, uma viagem a Santiago. O equívoco é semelhante ao da cantiga anterior, mas não podemos saber se se referirá às mesmas personagens. A composição apresenta, nos mss., alguns problemas de leitura.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Escárnio e maldizer
Mestria
Cobras uníssonas (rima c singular)
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1468, V 1078

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1468

Cancioneiro da Vaticana - V 1078


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas