João de Gaia ou Nuno Rodrigues de Candarei


Em gram coita vivo, senhor,
a que me Deus nunca quis dar
conselho e quer-me matar
e a mi seeria melhor;
5e, por meu mal, se me detém,
por vingar-vos, mia senhor, bem
de mi, se vos faço pesar.
  
E assi me troment'Amor,
de tal coita que nunca par
10houv'outr'home, a meu cuidar,
[e] assi morrerei, pecador!
 E, senhor, muito me praz en,
se prazer tomades; por en,
non'o dev'eu a recear.
  
15E assi hei eu a morrer,
veendo mia mort ante mi;
e nunca poder filhar i
conselho, nen'o atender
de parte do mund'; e bem sei,
20senhor, que assi morrerei,
se assi é vosso prazer.
  
E bem o devedes saber,
se vos eu morte mereci;
mais, por Deus, guardade-vos i,
 25ca todo é em vosso poder.
E, senhor, perguntar-vos-ei,
por serviço que vos busquei,
se hei por en mort'a prender.
  



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Nota geral:

O trovador queixa-se do seu mal de amor, que o levará à morte. No entanto, essa morte tarda, e o seu sofrimento prolongado será talvez a vingança da senhora pelo incómodo que o seu amor lhe causa. Mas, se isso der prazer à sua senhora, nada tem a recear. No final o trovador pede-lhe para não o matar, pois o serviço que sempre lhe prestou não justifica a morte.
A cantiga aparece duas vezes nos Cancioneiros, numa delas sendo atribuída a Nuno Rodrigues de Candarei (mas sem a 2ª estrofe). Remetemos para a nota de autoria, onde discutimos os dados do problema.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras doblas
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1451, V 1061

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1451

Cancioneiro da Vaticana - V 1061


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas