João Soares Coelho


 Maria do Grave, grav'é de saber
porque vos chamam Maria do Grave,
ca vós nom sodes grave de foder,
e pero sodes de foder mui grave;
5e quer', em gram conhocença, dizer:
sem leterad'ou trobador seer,
nom pod'homem departir este grave.
  
Mais eu sei bem trobar e bem leer
e quer'assi departir este grave:
10vós nom sodes grav'em pedir haver
por vosso con', e vós sodes grave,
a quem vos fode muito, de foder;
e por aquesto se dev'entender
porque vos chamam Maria do Grave.
  
15E pois vos assi departi este grave,
 tenho-m'end'ora por mais trobador;
e bem vos juro, par Nostro Senhor,
que nunca eu achei [molher] tam grave
come Maria - e já o provei -
20do Grav'; e nunca pois molher achei
que a mi fosse de foder tam grave.



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Nota geral:

Cantiga dirigida à soldadeira Maria do Grave e construída a partir de um elaborado jogo com os vários sentidos do seu sobrenome. "Grave" (termo muito usado nas cantigas de amor, nomeadamente na expressão grave coita) significa, pois, aqui, entre outras coisas, "difícil" (o que ela não era) e "custosa" (porque cara). De resto, o trovador considera que departir ou explicar um tal nome é tarefa árdua, uma tarefa que só um trovador culto e "letrado" como ele poderia levar a bom termo.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Escárnio e maldizer
Mestria
Cobras doblas
Dobre: uníssono, imperf. (em I e II, vv. 2, 3, 4, 7 em III, vv. 1, 4, 7):
grave
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Fontes manuscritas

V 1016

Cancioneiro da Vaticana - V 1016


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas