Pero Garcia Burgalês


Fernand'Escalho vi eu cantar bem,
que poucos outros vi cantar melhor;
e vi-lhe sempre, mentre foi pastor,
mui boa voz, e vi-o cantar bem;
5mais ar direi-vos per que o perdeu:
houve sabor de foder, e fodeu,
e perdeu todo o cantar por en.
  
Nom se guardou de foder, e mal sem
fez el, que nom poderia peor;
10e ham-lh'as gentes por en desamor,
per bõa voz que perdeu com mal sem,
voz de cabeça, que xi lhi tolheu,
ca fodeu tanto que lh'enrouqueceu
a voz, e ora já nom canta bem.
  
15E a Dom Fernando conteceu assi:
de mui bõa voz que soía haver
soube-a per avoleza perder,
ca fodeu moç'e nom canta já assi;
ar fodeu pois mui grand'escudeirom,
20e ficou ora, se Deus mi perdom,
com a peior voz que nunca oí.
  
E ora ajuda mui grand'infançom
s'i quer foder, que nunca foi sazom
que mais quisesse foder, poilo eu vi.



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Nota geral:

Continuando a linha da cantiga anterior, Pero Garcia Burgalês desenvolve o retrato do cantor Fernando Escalho, a quem a vida desregrada teria estragado a voz. Note-se que a composição confirma que o tipo de voz mais apreciado pelos trovadores seria a voz alta e juvenil.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Escárnio e maldizer
Mestria
Cobras doblas
Dobre: (vv. 1 e 4 de cada estrofe)
vi eu/o cantar bem (I), mal sem (II), assi (III)
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1377, V 985

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1377

Cancioneiro da Vaticana - V 985


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas