Cantiga referida em nota
  (linha 24)

Pero Garcia Burgalês


Fernam Díaz, este que and'aqui,
foi ũa vez daqui a Ultramar,
e quanto bom maestre pôd'achar
de castoar pedras, per quant',
 5tôdolos foi provar o pecador;
e pero nunca achou castoador
que lh'o olho soubess'encastoar.
  
E pero mui bõo maestr'achou i,
 qual no mund'outro nom pod'en saber,
10de castoar pedras e de fazer
mui bom lavor de castom outrossi;
pero lh'o olho amesurou entom,
tam estreito lhi fez end'o castom
que lhi nom pôd'i o olho caber.
  
15E a Dom Fernando conteceu-lh'assi
d'um maestre que com el baratou:
 cambou-lh'o olho que daqui levou
e disse-lhi que era de safi,
 destes maos contrafeitos del Poi;
20e meteu-lhi um grand'olho de boi,
aquel maior que el no mund'achou.
  
Olho de cabra lhi quis i meter,
e nom lhi pôde no castom fazer;
 e com seu olho de boi xi ficou.



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Nota geral:

Como vários outros trovadores do círculo afonsino, também Pero Garcia Burgalês escarnece do meirinho de Afonso X, Fernão Dias, nesta e em mais duas outras composições, todas em forma de equívoco sobre os seus alegados gostos homossexuais. Aqui tudo se passa em torno de uma viagem ao Norte de África, onde ele teria ido procurar um artífice para lhe encastar uma grande pedra preciosa (um olho) no castão de uma bengala ou de um bastão. No final, Fernão Dias teria acabado enganado, expandindo-se o trovador num divertido jogo com vários olhos, jogo possibilitado pelo que seriam certamente as designações populares de várias pedras preciosas e falsas.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Escárnio e maldizer
Mestria
Cobras singulares (rima a uníssona)
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1375, V 983

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1375

Cancioneiro da Vaticana - V 983


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas