Pero Garcia de Ambroa


Ai meu amigo, pero vós andades
jurando sempre que mi nom queredes
bem ant'as donas, quando as veedes,
entendem elas ca vos pe[r]jurades
5       e que queredes a mi tam gram bem
       com'elas querem os que querem bem.
  
E pero vós ant'elas jurar ides
que nom fazedes quanto vos eu mando,
quanto lhis mais ides em mim falando,
10atant'en[ten]dem mais que lhis mentides
       e que queredes a mi tam gram bem
       com'elas querem os que querem bem.
  
E andad'ora de camanho preito
vós vos quiserdes andar todavia,
15ca o cantar vosso de maestria
entendem elas que por mi foi feito
       e que queredes a mi tam gram bem
       com'elas querem os que querem bem.



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Nota geral:

A moça diz ao amigo que, sendo certo que ele jura perante as donas que não gosta dela, nem lhe obedece, elas percebem logo que ele está a mentir. Na terceira estrofe, a moça faz uma interessante alusão a uma cantiga de mestria (sem refrão, e decerto de amor) que ele teria feito, e que as donas tinham imediatamente percebido que era para ela.
Esta referência, para além do seu papel na cantiga, é importante em termos biográficos, podendo eventualmente ajudar a identificar o trovador (como discutimos na nota ao v. 15 e também na sua nota biográfica).



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1235, V 840
(C 1235)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1235

Cancioneiro da Vaticana - V 840


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas