Pedro Amigo de Sevilha


- Por meu amig', amiga, preguntar-
-vos quer'eu ora, ca se foi daqui
mui meu sanhud'e nunca o ar vi,
se sabe já ca mi quer outro bem.
5- Par Deus, amiga, sab', [e] o pesar
que hoj'el há nom é per outra rem.
  
- Amiga, pesa-mi de coraçom
porque o sabe, ca de o perder
hei mui gram med', e ide-lhi dizer
10que lhi nom pês, ca nunca lh'en verrá
mal; e pois el souber esta razom,
sei eu que log'aqui migo será.
  
E dizede-lhi ca poder nom hei
de me partir, se me gram bem quiser,
15que mi o nom queira, ca nom sei molher
que se del[e] possa partir per al,
 senom per esto que m'end'eu farei:
 nom fazer rem que mi tenham por mal.
  
E pois veer meu amigo, bem sei
20que nunca pode per mi saber al.



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Nota geral:

Uma vez que o seu amigo se foi embora muito zangado e nunca mais o viu, a moça pergunta a uma amiga se ele saberá já que um outro lhe quer bem. E a amiga confirma-lhe que sim, e que é essa a causa da sua tristeza atual (sendo esta a única intervenção da amiga).
Comentando este facto, a moça diz então que muito lamenta, porque não o quer perder; e pede à amiga para lhe ir dizer que não se aborreça, porque nada de mal lhe virá daí - estando certa que, quando ele ouvir isto, logo virá ter com ela. Mas pede-lhe ainda para lhe dizer algo mais: que ela não pode impedir o outro de a amar, como nenhuma mulher o pode, tudo o que pode é nunca fazer nada que seja considerado errado. E termina dizendo que, quando o seu amigo vier, não ouvirá outra coisa da sua boca.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Mestria, dialogada
Cobras singulares
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1213, V 818
(C 1213)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1213

Cancioneiro da Vaticana - V 818


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas