Juião Bolseiro


Fez ũa cantiga d'amor
ora meu amigo por mi,
que nunca melhor feita vi,
mais, como x'é mui trobador,
5       fez ũas lirias no som
       que mi sacam o coraçom.
  
Muito bem se soube buscar
por mi ali, quando a fez,
em loar-mi muit'e meu prez,
10mais, de pram, por xe mi matar,
       fez ũas lirias no som
       que mi sacam o coraçom.
  
Per bõa fé, bem baratou
de a por mi bõa fazer,
15e muito lho sei gradecer,
mais vedes de que me matou:
       fez ũas lirias no som
       que mi sacam o coraçom.



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Nota geral:

A donzela está encantada com a cantiga de amor que o seu amigo compôs para ela: além dos elogios que lhe faz, inventou uns requebros musicais que a tocam profundamente (que quase lhe tiram o coração do peito).
Como se compreende, esta cantiga é também um malicioso auto-elogio de Juião Bolseiro, em particular às suas próprias qualidades de compositor. De resto, mesmo que partíssemos do princípio que a voz feminina alude aqui à sua única cantiga de amor conservada, seria de todo impossível avaliarmos a beleza das suas lírias, uma vez que a música, infelizmente, se perdeu.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1173, V 779

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1173

Cancioneiro da Vaticana - V 779


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas