Cantiga referida em nota
  (linha 18)

Juião Bolseiro


Da noite d'eire poderam fazer
grandes três noites, segundo meu sem,
mais na d'hoje mi vẽo muito bem,
       ca vẽo meu amigo,
 5e, ante que lh'ouvisse dizer rem,
       vẽo a luz e foi logo comigo.
  
E pois m'eu eire senlheira deitei,
a noite foi e vẽo e durou,
mais a d'hoje pouco a semelhou,
10       ca vẽo meu amigo,
e, tanto que mi a falar começou,
       vẽo a luz e foi logo comigo.
  
E comecei eu eire de cuidar
[e] começou a noite de crecer,
15maila d'hoje nom quis assi fazer,
       ca vẽo meu amigo,
e, faland'eu com el a gram prazer,
       vẽo a luz e foi logo comigo.



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Nota geral:

Em sequência direta da cantiga anterior, a donzela conta agora como, em contraste com a longa noite anterior, que passou sozinha e sem dormir (e que lhe pareceu durar três noites), a noite desse mesmo dia foi tão breve que quase lhe pareceu instantânea: pois veio o seu amigo, e, mal tinham começado a falar, já era de manhã (ou foi essa a sensação que tiveram).
Tal como na cantiga anterior, o último verso do refrão permite uma dupla leitura (a um segundo nível, o amigo é a luz da sua vida).



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
Palavra perduda: v. 1 de cada estrofe
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1166, V 772

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1166

Cancioneiro da Vaticana - V 772


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas