João Zorro


Bailemos agora, por Deus, ai velidas,
sô aquestas avelaneiras frolidas,
e quem for velida, como nós velidas,
       se amigo amar,
5sô aquestas avelaneiras frolidas
       verrá bailar.
  
Bailemos agora, por Deus, ai loadas,
sô aquestas avelaneiras granadas,
e quem for loada, como nós loadas,
10       se amigo amar,
sô aquestas avelaneiras granadas
       verrá bailar.
  



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Nota geral:

Esta é a "bailia das avelaneiras", uma das mais célebres cantigas de amigo que os Cancioneiros nos transmitiram. Neste breve comentário chamamos apenas a atenção para o facto de as avelaneiras serem árvores associadas, em muitas culturas antigas, a ritos nupciais (ou seja, com um valor simbólico semelhante ao das flores de laranjeira atuais).
Os Cancioneiros transmitiram-nos uma outra versão desta cantiga (com uma terceira estrofe), da autoria de Airas Nunes. Podendo qualquer dos autores ter retomado a cantiga do outro, parece mais provável que tenha sido Airas Nunes a retomar a anterior composição de Zorro, até pelo evidente gosto que o trovador mostra por este processo, visível em diversas outras cantigas suas. Mas também é possível, no entanto, como sugeriu Rodrigues Lapa1, que ambos tivessem partido de uma composição tradicional.

Referências

1 Lapa, Manuel Rodrigues (1964-1973), Recensão a Tavani (Giuseppe), Le poesie di Ayras Nunez, in Boletim de Filologia, Tomo XXII , Lisboa, Centro de Estudos Filológicos.
      Aceder à página Web




Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão e Paralelística
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1158bis, V 761

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1158bis

Cancioneiro da Vaticana - V 761


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Bailemos agora      versão audio disponível

Versões de Fernando Lopes-Graça

Bailada de Moças 

Versão de Frederico de Freitas

Bailia      versão audio disponível

Versão de José Afonso

Cantigas de Amigo: Bailemos agora, por Deus 

Versão de Ivan Moody