João Servando


[D]o meu amigo, que me faz viver
trist'e coitada des que o eu vi,
esto sei bem: que morrerá por mi;
e, pois eu logo por el ar morrer,
5       maravilhar-s'-am todos d'atal fim,
       quand'eu morrer por el e el por mim.
  
Vivo coitada, par Nostro Senhor,
por meu amigo, que me nom quer já
valer, e sei que [por mi] morrerá;
10mais, pois eu logo por el morta for,
       maravilhar-s'-am todos d'atal fim,
       quand'eu morrer por el e el por mim.
  
Sabe mui bem que nom há de guarir
o meu amigo, que mi faz pesar,
15ca morrerá, non'o meto em cuidar,
por mi, e, pois m'eu por el morrer vi[r],
       maravilhar-s'-am todos d'atal fim,
       quand'eu morrer por el e el por mim.
  
Por Sam Servando, que eu rogar vim,
20nom morrerá meu amigo por mim.



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Nota geral:

A donzela tem a certeza que o seu amigo vai acabar por morrer por ela e ela logo em seguida por ele. E quando ambos morrerem, todos se espantarão. Mas espera que S. Servando, a quem veio rezar, aceda ao seu pedido e faça com que ele não morra.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1145bis, V 748

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1145bis

Cancioneiro da Vaticana - V 748


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas