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  (linha 19)

João Servando


Diz meu amigo que lhi faça bem,      ←
mais nom mi diz o bem que quer de mi[m];      ←
eu por bem tenho de que lh'aqui vim      ←
polo veer, mais el assi nom tem;      ←
5       mais, se soubess'eu qual bem el querria      ←
       haver de mi, assi lho guisaria.      ←
  
Pede-m'el bem, quant'há que o eu vi,      ←
e nom mi diz o bem que quer haver      ←
de mim, e tenh'eu que d[e] o veer      ←
10lh'é mui gram bem, e el nom tem assi;      ←
       mais, se soubess'eu qual bem el querria      ←
       haver de mi, assi lho guisaria.      ←
  
Pede-m'el bem, nom sei em qual razom,      ←
pero nom mi diz o bem que querrá      ←
15de mim; e tenh'eu, de que o vi já,      ←
que lhe gram bem [é], e el tem que nom;      ←
       mais, se soubess'eu qual bem el querria      ←
       haver de mi, assi lho guisaria.      ←
  
Par Servand', e assanhar-m'-ei um dia,      ←
20se m'el nom diz qual bem de mim querria.      ←



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Nota geral:

A cantiga joga divertida e ironicamente com o eufemismo bem, o termo incansavelmente repetido pelos trovadores nas cantigas de amor, ao solicitarem os favores das suas senhoras. É este sentido eufemístico que a ingénua donzela não compreende: a que bem se referirá o seu amigo quando lhe pede insistentemente que lhe faça bem? Não será um bem ela aceder a ir ter com ele? Ele diz que não, mas se ela soubesse exatamente o que é que ele quer, decerto arranjaria maneira de o satisfazer. De modo que, na finda, jura por S. Servando que um dia ainda se zanga verdadeiramente com ele, se ele não lhe explica o que quer dela.
numa cantiga anterior o trovador tinha abordado brevemente este tema.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1152, V 745

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1152

Cancioneiro da Vaticana - V 745


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas