Pero Mendes da Fonseca


Sazom sei eu que nom ousei dizer
o mui gram bem que quer'a mia senhor,
ca me temia de seu desamor;
e ora já nom hei rem que temer,
5ca já m'ela maior mal nom fará
do que mi fez, per quanto poder há,
 ca já i fezo todo seu poder,
  
per bõa fé, [e] naquela sazom
de dur diria quant'ora direi,
10ca nom ousava, mais já ousarei;
e des oimais, quer se queixe, quer nom
(e que se queixe!) nom mi pode dar
maior afã, nem já maior pesar,
nem maior coita no meu coraçom
  
 15ca já mi deu, per que perdi o sem
e os meus olhos prazer e dormir,
- pero sempr'eu punhei de a servir,
come se fosse tod'este mal bem;
e servirei, enquant'eu vivo for,
 20ca nom hei doutra rem tam gram sabor,
pero lhi praz de quanto mal mi vem.



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Nota geral:

Se houve um tempo em que o trovador não ousava confessar o seu amor à sua senhora, com medo de a desgostar, agora, desenganado pelo rigor com que ela o trata, já não se importa de falar: quer ela se queixe ou não, dá aqui conta do seu desejo e sofrimento, que já lhe fizeram perder o sono e toda a alegria. No final, reafirma, no entanto, que continuará a servi-la, já que nada lhe dá mais gosto (embora saiba que ela tem prazer com o seu sofrimento).



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras singulares
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Fontes manuscritas

B 1125, V 717

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1125

Cancioneiro da Vaticana - V 717


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas