Pero Velho de Taveirós, Paio Soares de Taveirós

Rubrica:

        

Esta cantiga fez Pero Velho de Taveiroos e Paai Soarez, seu irmão, a duas donzelas mui fremosas e filhas d'algo assaz, que andavam em cas Dona Maior, molher de Dom Rodrigo Gomes de Trastamar. E diz que se semelhava[m] ũa a outra tanto que adur poderia homem estremar ũa da outra; e seendo ambas um dia folgando per ũa sesta em um pomar, entrou Pero Velho de sospeita [e], falando com elas, chegou o porteiro e levantou-o end'a grandes empuxadas, e trouve-o mui mal.


- Vi eu donas em celado
que já sempre servirei
por que ando namorado;
pero nom vo-las direi
5com pavor que delas hei,
assi mi ham lá castigado!
  
- Des que essas donas vistes,
falarom-vos rem d'amor?
Dizede, se as cousistes,
10qual delas é [a] melhor?
Nom fostes conhecedor
quando as nom departistes.
  
- Ambas eran'as melhores
que homem pode cousir:
15brancas eram come flores;
mais, por vos eu nom mentir,
nõn'as pudi departir,
tanto sam bõas senhores.
  
- Ali perdeste-l'o siso
20quando as fostes veer,
ca no falar e no riso
podérades conhocer
qual há melhor parecer;
 mais fali[u]-vos i o viso.



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Nota geral:

Esta tenção entre os dois irmãos trovadores, cujo contexto a rubrica que acompanha a composição explica perfeitamente, não é propriamente um escárnio, mas antes um jocoso comentário a um episódio burlesco (e certamente juvenil), que se transforma num elogio a duas donzelas gémeas. De qualquer forma, tanto a situação como o tom de paródia cortês (repare-se no equívoco sobre o castigo, no final da primeira estrofe) são elementos burlescos incontestáveis.
Dado que D. Rodrigo e D. Maior estão documentados pela primeira vez como casados em 12231, a tenção terá de ser posterior a esse ano.

Referências

1 Monteagudo, Henrique (2008), Letras primeiras. O Foral de Caldelas, os primordios da lírica trobadoresca e a emerxencia do galego escrito, Corunha, Fundación Pedro Barrié de la Maza, p. 331.



Nota geral


Descrição

Tenção
Mestria
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 142
(C 140)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 142


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas