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  (linha 14)

Lopo


Par Deus, senhor, muit'aguisad[o] hei,      ←
des quando m'ora eu de vós quitar,      ←
 de vos veer mui tard', a meu cuidar,      ←
por ũa rem, que vos ora direi:      ←
 5ca nom será tam pequena sazom      ←
que sem vós more, se Deus mi perdom,      ←
que mi nom seja mui grand', e[u] o sei.      ←
  
E, mia senhor, nunca cedo verrei      ←
u vos veja, des que m'ora partir      ←
10de vós, mia senhor, e vos eu nom vir;      ←
Mais com tal coita como viverei?      ←
Ca, se um dia tardar u eu for      ←
e u vos nom vir, bem terrei, mia senhor,      ←
que há um an'ou mais que alá tardei.      ←
  
15E, mia senhor, por que me coitarei      ←
de viir cedo, pois mi prol nom há?      ←
Ca, se veer logo, tardi será;      ←
e por esto nunca ced'acharei;      ←
ca, se um dia em meos meter      ←
20que vos nom veja, log'hei de teer      ←
que há mil dias que sem vós morei.      ←



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Nota geral:

Dirigindo-se à sua senhora, o trovador diz-lhe que tem a certeza de que, assim que se separar dela, passará muito tempo sem a ver. Mas apenas por um motivo: é que, por mais curto que esse tempo seja, para ele será sempre grande demais. Na segunda estrofe, concretiza: se passar um dia a mais longe dela, sentirá que um ano ou mais tardou por lá. De modo que, na terceira estrofe, pergunta: que lhe adianta regressar rapidamente? Por mais rapidamente que regresse, para ele será sempre tarde, já que um dia sem a ver equivale a mil dias longe dela.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras singulares (rima a uníssona)
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1113, V 704

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1113

Cancioneiro da Vaticana - V 704


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas