Martim Peres Alvim


Dizer-vos quer'a gram coita d'amor
em que vivo, senhor, des que vos vi,
e o gram mal que eu [sofr'e] sofri;
e d'ũa rem sõo [eu] sabedor:
5       que mi valera mui mais nom veer
       eu vós nem al, quando vos fui veer.
  
E a mia coita sei que nom há par
antr'as outras coitas que d'amor sei;
e pois meu temp'assi pass'e passei,
10com gram verdade vos posso jurar:
       que mi valera mui mais nom veer
       eu vós nem al, quando vos fui veer.
  
[Sei d]esta coita, que mi a morte tem
tam chegada, que nom lh'hei de guarir,
15ca nom sei eu logar u lhe fogir;
e por esto podedes creer bem
       que mi valera mui mais nom veer
       eu vós nem al, quando vos fui veer.
  
Ca, se nom vira, podera viver
20e meor coita ca sofro sofrer.



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Nota geral:

O trovador confessa à sua senhora a sua coita, afirmando, em refrão, que mais lhe teria valido ser cego quando a foi ver.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1054, V 644

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1054

Cancioneiro da Vaticana - V 644


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas