Nuno Anes Cerzeo


Mia senhor fremosa, direi-vos ũa rem:
vós sodes mia morte e meu mal e meu bem!
       E mais por que vo-lo hei eu já mais a dizer?
       Mia morte sodes, que me fazedes morrer!
  
5Vós sodes mia morte [e] meu mal, mia senhor,
e quant'eu no mund'hei de bem e de sabor!
       E mais por que vo-lo hei eu já mais a dizer?
       Mia morte sodes, que me fazedes morrer!
  
 Mia mort'e mia coita sodes, nom há i al,
10e os vossos olhos mi fazem bem e mal.
       E mais por que vo-lo hei eu já mais a dizer?
       Mia morte sodes, que me fazedes morrer!
  
Senhor, bem me fazem soo de me catar,
 pero vem m'en coita grand'; e vos direi ar:
15       E mais por que vo-lo hei eu já mais a dizer?
       Mia morte sodes, que me fazedes morrer!



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Nota geral:

O trovador diz à sua senhora que ela é, ao mesmo tempo, a sua morte, o seu mal e o seu bem. É a sua morte porque o faz morrer, mas é também todo o bem que ele tem no mundo. Quando ela o olha, os seus olhos fazem-lhe bem, mas fazem-lhe mal quando esse bem se transforma em sofrimento.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 132

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 132


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas