João Airas de Santiago


Quand'eu fui um dia vosco falar,
meu amigo, figi-o eu por bem,
 e enfengestes-vos de mim por en;
mais, se vos eu outra vez ar falar,
5       logo vós dizede[s] ca fezestes
       comigo quanto fazer quisestes.
  
Ca, meu amigo, falei eu ũa vez
convosco, por vos de morte guarir,
e fostes-vos vós de mim enfingir;
10mais, se vos eu [ar] falar outra vez,
       logo vós dizede[s] ca fezestes
       comigo quanto fazer quisestes.
  
Ca mui bem sei eu que nom fezestes
o meio de quanto vós dissestes.



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Nota geral:

Tendo ido um dia falar com o seu amigo, apenas para lhe aliviar as mágoas de amor, a donzela queixa-se de ele foi mais tarde gabar-se disso mesmo. E se ela lhe voltar a falar, ele irá de novo dizer que fez com ela tudo quanto quis. Ora ela sabe bem, como conclui na finda, que ele não fez nem metade do que diz.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
Dobre: (vv. 1 e 4 de cada estrofe)
falar (I), vez (II)
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1026, V 616

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1026

Cancioneiro da Vaticana - V 616


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas