Rui Martins de Ulveira


Oimais, amiga, quer'eu já falar
com meu amigo quanto x'el quiser,
vedes porquê: ca tam gram bem mi quer
que bem vos dig'eu, quant'é semelhar,
5[per] quant'eu sei, que nom hei de cuidar:
       nom querria meu dano por saber
       que podia per i meu bem haver.
  
Falarei com el, que nom m'estará
 mal nulha rem, e mesura farei
10de lhi falar, ca, per quant'eu del sei,
que mi quer bem e sempre mi o querrá,
que vejades o grand'amor que mi há:
       nom querria meu dano por saber
       que podia per i meu bem haver.
  
15Falarei com el, pois ést[e] assi,
par Deus, amiga: ca sempre punhou
 de me servir, des i nunca m'errou
 des que meu fui, per quant'eu aprendi,
e mais vos direi que del entendi:
20       nom querria meu dano por saber
       que podia per i meu bem haver.
  
E, pois m'el quer com'oídes dizer,
de sa fala nom hei rem que temer.



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Nota geral:

A moça diz a uma amiga que vai passar a falar com o seu amigo sempre que ele quiser, pois não só sabe que ele a ama, como tem toda a confiança nele. Isto porque acredita que ele jamais quereria prejudicá-la (manchar a sua reputação) para obter os seus favores. Nada tem, pois, a temer da sua conversa.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 1000, V 589

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 1000

Cancioneiro da Vaticana - V 589


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas