Rui Martins de Ulveira


Disserom-vos, fremosa mia senhor,
que me nom mat'a mi o voss'amor;
e non'o neg'eu, pois eu sabedor
faço quem quer que o queira saber:
5ca me nom mat'a mim o voss'amor,
mais mata-me que o nom poss'haver.
  
 Ca bem sei que vos disserom por mi
que me nom mata voss'amor, assi
 com'alguém cuida; e dig'eu tant'i
10a vós, que o nom posso mais negar:
ca me nom mata voss'amor assi,
mais mata-me que mi o nom quer Deus dar.
  
E os que cuidam que mi buscarám
  per i mal vosco dizem-no, de pram,
15e nom mi o neg'eu, poilo saberám;
des i entend'o que nom poderei:
que me nom mata voss'amor, de pram,
mais mata-me, senhor, que o nom hei.



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Nota geral:

Dirigindo-se à sua senhora formosa, o trovador defende-se dos que lhe foram dizer, para o prejudicar, que o amor dela não o mata. De facto, não o nega - pois não é o amor dela que o mata, é não o poder ter.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras singulares
Dobre: (vv. 2 e 5 de cada estrofe)
que/ca me nom mat'a mi o voss'amor (I), que/ca me nom mata voss'amor, assi (II), de pram (III)
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Fontes manuscritas

B 999, V 588
(C 999)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 999

Cancioneiro da Vaticana - V 588


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas