A Balteira

Eurico Carrapatoso, Compositor

Composição/Recriação moderna
07/2004

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Intervenientes

Compositor: Eurico Carrapatoso
Piano: Rui Martins
Canto (barítono): Job Tomé


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Encomenda da Casa da Música do Porto. A cantiga insere-se no ciclo Poemário erótico, ericsatírico e burlesco. Estreia na Casa da Música do Porto em 22 de Novembro de 2005. O texto da cantiga foi recolhidos do livro Trovas medievais obscenas, compilado por Orlando Neves (ed. Matéria Escrita, Lisboa, 1998).

Cantiga original Joam Rodriguiz foi desmar a Balteira

Joam Rodriguiz foi desmar a Balteira
sa midida, per que colha sa madeira;
e disse: - Se bem [o] queredes fazer,
de tal midida a devedes colher
[assi] e não meor, per nulha maneira.
E disse: - Esta é a madeira certeira,
e, de mais, nõn'a dei eu a vós sinlheira;
e pois que s'em compasso há de meter,
atam longa deve toda [de] seer
[que vaa] per antr'as pernas da 'scaleira.
A Maior Moniz dei já outra tamanha,
e foi-a ela colher logo sem sanha;
e Mari'Airas feze-o logo outro tal,
e Alvela, que andou em Portugal;
e já i as colherom [e]na montanha.
E diss': - Esta é a midida d'Espanha,
ca nom de Lombardia nem d'Alamanha;
e porque é grossa, nom vos seja mal,
ca delgada para gata rem nom val;
e desto mui mais sei eu [i] ca boudanha.