Afonso X


Direi-vos eu d'um ric'home
de com'aprendi que come:
mandou cozer o vil home
meio rabo de carneiro
5- assi com'o cavaleiro.
  
E outro meio filhou,
e peiteá-lo mandou,
[e] ao colo o atou,
em tal que o nom aolhasse
10quen'o visse e o catasse.
  
E pois ali o liou,
estendeu-se e bucijou;
por ũa velha enviou,
que o veesse escantar
15d'olho mao de manejar.
  
A velha e[n] diss'atal:
  - Daquesto foi, que nom d'al:
de que comestes mui mal.
E começou de riir
20[e] muito del escarnir.
  
Nun'Eanes diss'assi:
- Fiinda mester há i.
  
Dom Afonso diss'atal:
- Faça-xo quem faz o al.



 ----- Aumentar letra ----- Diminuir letra

Nota geral:

O tema, comum à sátira trovadoresca, da pelintrice ou avareza dos ricos-homens, aqui na versão de Afonso X. A razom da cantiga (o modo como desenvolve a sua ideia central) junta habilmente os hábitos alimentares (como sempre, muito parcos) de um deles com as práticas de feitiçaria, através da intervenção de uma bruxa sensata, que aponta certeiramente para a origem da fraqueza de que se queixa o rico-homem: a fome. A parte final da cantiga oferece, no entanto, muitos problemas de leitura.



Nota geral


Descrição

Escárnio e Maldizer
Mestria
Cobras singulares
Finda (2)
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 461

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 461


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas