Vasco Rodrigues de Calvelo


Vivo coitad'em tal coita d'amor
que sol nom dormem estes olhos meus;
e rogo muito por mia mort'a Deus;
e ũa rem sei eu de mia senhor:
5       nom sab'o mal que m'ela faz haver,
       nem a gram coit'em que me faz viver.
  
 Vivo coitad'e sol nom dormio rem
e cuido muit'e choro com pesar,
porque me vejo mui coitad'andar.
 10Mais mia senhor, que todo sabe bem,
       nom sab'o mal que m'ela faz haver,
       nem a gram coit'em que me faz viver.
  
E, meus amigos, mal dia naci
com tanta coita que sempr'eu levei;
15e por que mais no mundo viverei?
Pois mia senhor, que eu por meu mal vi,
       nom sab'o mal que m'ela faz haver,
       nem a gram coit'em que me faz viver.
  
E meus amigos, nom hei eu poder
20d'a mui gram coit'em que vivo sofrer.



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Nota geral:

Vivendo em sofrimento, sem dormir, e pedindo a morte a Deus, o trovador tem a certeza, no entanto, que a sua senhora desconhece o mal que lhe faz.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 293, B 993bis, V 582
(C 991)

Cancioneiro da Ajuda - A 293

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 993bis

Cancioneiro da Vaticana - V 582


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas