Rodrigo Anes de Alvares


Ai amiga, tenh'eu por de bom sem
tod'homem que sa senhor gram bem quer
que lho nom entendem per nulha rem,
senom a quen'o el dizer quiser;
5       Rodrig'Eanes d'Alvares é tal:
quer-me milhor ca quis hom'a molher,
       mais nom sabem se me quer bem se mal.
  
 Maravilho-me como nom perdeu
o corpo, per quantas terras andou,
10por mim, ou como nom ensandeceu;
por qual vos dig'o que a mim chegou:
       Rodrig'Eanes d'Alvares é tal:
des que me viu, nunca rem tant'amou,
       mais nom sabem se me quer bem se mal.
  
15Nem vistes homem tam gram coit'haver
com'el por mim há, assi Deus mi perdom,
nem por senhor tam gram coita sofrer
com'el sofre, há mui longa sazom,
       Rodrig'Eanes d'Alvares é tal:
20nunca de mim parte o seu coraçom,
       mais nom sabem se me quer bem se mal.



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Nota geral:

Dirigindo-se a uma amiga, a donzela elogia o seu amigo por conseguir manter em segredo o grande amor que lhe tem; um amor que, acrescenta, se manteve constante no decorrer das suas inúmeras viagens.
A composição singulariza-se, no entanto, pela identificação deste amigo com o próprio trovador, cujo nome completo se repete no refrão das três estrofes (transformando o elogio enunciado pela donzela em auto-elogio declarado).



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 975/978bis, V 562
(C 975)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 975/978bis

Cancioneiro da Vaticana - V 562


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas