João Airas de Santiago


A mia senhor, que me tem em poder
e que eu sei mais doutra rem amar,
sempr'eu farei quanto m'ela mandar
a meu grado, que eu possa fazer;
5mais nom lhi posso fazer ũa rem:
quando mi diz que lhi nom que[i]ra bem,
ca o nom posso comigo poer.
  
Ca se eu migo podesse poer,
se Deus mi valha, de a nom amar,
10ela nom havia que mi rogar,
ca eu rogad'era de o fazer;
mais nom posso querer mal a quem
Nostro Senhor quis dar tam muito bem
como lh'El deu, e tam bom parecer.
  
15Sa bondad'e seu bom parecer
mi faz a mim mia senhor tant'amar
e seu bom prez e seu mui bom falar,
  que nom poss'eu, per rem, i al fazer;
mais ponha ela consigo ũa rem:
20de nunca jamais mi parecer bem,
porrei mig'eu de lhi bem nom querer.



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Nota geral:

O trovador fará tudo o que a sua senhora lhe mandar, salvo uma única coisa: deixar de a amar. Se pudesse, de bom grado o faria, mas decididamente não pode: a sua beleza e qualidades impedem-no. A única maneira de o conseguir seria a sua senhora decidir-se a deixar de ser tão bonita.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras uníssonas
Palavra(s)-rima: amar (v. 2 de cada estrofe), fazer (v. 4), bem (v. 6)
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Fontes manuscritas

B 959, V 546

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 959

Cancioneiro da Vaticana - V 546


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas