João Soares Somesso


Já foi sazom que eu cuidei
que me nom poderi'Amor
per nulha rem fazer peor
 ca me fazi'entom, e sei
5agora já del ũa rem:
ca já m'em maior coita tem
por tal dona que nom direi,
  
 mentr'eu viver; mais guardar-m'-ei
que mi o nom sábia mia senhor;
10ca 'ssi 'starei dela melhor,
e dela tant'end'haverei:
enquanto nom souberem quem
est a dona que quero bem,
algũa vez a veerei!
  
15Mais gram med'hei de me forçar
o seu amor, quando a vir,
de nom poder dela partir
os meus olhos, nem me nembrar
de quantos m'entom veerám;
20que sei ca todos punharám
ena saber, a meu pesar.
  
E haverei muit'a jurar
pola negar e a mentir,
e punharei de me partir
25de quem me quiser preguntar
por mia senhor; que sei, de pram,
ca dos que me preguntarám
e dos outros m'hei a guardar.



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Nota geral:

Se houve um tempo em que o trovador acreditava que o Amor não o poderia fazer sofrer mais do que já sofria, isso era porque não o conhecia: pois muito mais sofre agora por uma senhora cuja identidade não revelará. E também não tenciona dizer-lho, já que, enquanto ninguém souber, sempre poderá vê-la de vez em quando. Receia, no entanto, não se poder controlar quando a vir, e não conseguir tirar os seus olhos dela, esquecendo os que o rodeiam; até porque sabe que todos estarão atentos a ver se descobrem quem é. Se isso acontecer, irá negar e mentir, e irá também afastar-se dos que lhe vierem com perguntas - desses e de todos, aliás.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras doblas
Palavra(s)-rima: peor/ melhor, partir (v. 3 de cada estrofe, I e II imperf.)
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 28, B 121

Cancioneiro da Ajuda - A 28

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 121


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas