Airas Nunes


Amor faz a mim amar tal senhor,
mais fremosa de quantas hoj'eu sei,
e faz-m'alegre e faz-me trobador
cuidand'em bem sempr'; e mais vos direi:
 5u se pararom de trobar,
trob'eu e nom per antolhança,
mais por que sei mui lealmente amar.
       Pois mim amor nom quer leixar
       e dá-m'esforç'e asperança,
10       mal venh'a quem se del desasperar!
  
Ca per amor cuid'eu mais a valer;
e os que del desasperados som
nom podem nunca nẽum bem haver,
nem fazer bem. E per esta razom,
15com amor quero-me alegrar;
 e quem tristur'ou mal andança
  quer, nom lhe dê Deus al, pois s'en pagar.
       Pois mim amor nom quer leixar
       e dá-m'esforç'e asperança,
20       mal venh'a quem se del desasperar!
  
Cousecem mim os que amor nom ham
e nom cousecem si, vedes que mal!
Ca trob'e canto por senhor, de pram,
que sobre quantas hoj'eu sei mais val
25de beldad'e de bem falar,
 e é cousida, sem dultança.
Atal am'eu e por seu quer'andar.
       Pois mim amor nom quer leixar
       e dá-m'esforç'e asperança
30       mal venh'a quem se del desasperar!



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Nota geral:

À semelhança da composição que a precede nos manuscritos, eis uma outra cantiga onde Airas Nunes, de forma muito pouco habitual no género, canta as alegrias do amor. Neste caso, há ainda uma crítica explícita aos trovadores que se deleitam na retórica de um amor desesperado.
A cantiga apresenta-se nos manuscritos em duas versões bastante diferentes, assunto que desenvolvemos na nota de leitura ao verso 1.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 873/885bis, V 457, V 469

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 873/885bis

Cancioneiro da Vaticana - V 457

Cancioneiro da Vaticana - V 469


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas