João Soares Somesso


 Punhei eu muit'em me guardar,
quant'eu pude, de mia senhor,
de nunca 'm seu poder entrar;
pero forçou-mi o seu amor
5e seu fremoso parecer,
e meterom-m'em seu poder,
em que estou, a gram pavor
  
de morte, com'em desejar
(ben'o sabe Deus) la melhor
10dona do mund'e nom ousar
falar com ela. E maior
coita nunca vi de sofrer,
 ca esta nunca dá lezer,
mais faz cada dia peor.
  
15Ca todavia creç'o mal
a quem amor em poder tem,
se nom é sa senhor atal
que lhe queira valer por en.
Mais atal senhor eu nom hei,
20nem atal dona nunc'amei
onde gãar podesse rem,
  
 senom gram coita e nom al.
E por esto perdi o sem
por tal dona que me nom val!
25E pero nom direi por quem;
mais per muitas terras irei
servir outra, se poderei
negar esta que quero bem.



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Nota geral:

Embora muito se tivesse esforçado por não cair sob o domínio da sua senhora, o trovador acabou por não resistir à sua beleza e ao amor, encontrando-se agora totalmente rendido e com um medo mortal de falar com ela. O que lhe causa um sofrimento que não lhe dá descanso e que cada dia piora. Pois é o que acontece àqueles que estão sob o domínio do Amor e escolheram uma senhora que não lhes quer valer - como é o seu caso. Tendo já perdido a razão, não revelará, no entanto, a sua identidade. Antes se dispõe a ir pelo mundo, tentando servir uma outra, se puder esconder quem realmente ama.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras doblas
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 21, B 114

Cancioneiro da Ajuda - A 21

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 114


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas