Afonso Pais de Braga


A que eu quero gram bem, des que a vi,
e que amo, Deu'lo sabe, mais ca mi,
me faz em coita viver:
       e desto xi m'atou morte, sem poder
5       que eu haja d'end'al fazer.
  
A provar haverei eu se poderei
guarir sen'a ir veer, pero bem sei
que o nom hei de fazer:
       e desto xi m'atou morte, sem poder
10       que eu haja d'end'al fazer.
  
Pero nunca lh[e] eu cousa mereci
per que me mate, ventura me faz i,
sem seu grado, bem querer:
       e desto xi m'atou morte, sem poder
15       que eu haja d'end'al fazer.
  
Nunca tal ventura vistes qual eu hei
contra ela, que servi sempr'e amei,
polo nom ousar dizer:
       e desto xi m'atou morte, sem poder
20       que eu haja d'end'al fazer.
  
 Por sandice mi pod'homem esto contar,
mais por coita nom, quem vir seu semelhar.



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Nota geral:

O amor desesperado pela sua senhora, de quem não se consegue afastar, e a quem não se ousa declarar, conduzirá o trovador à morte



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras doblas alternadas, V irregular (rima b uníssona)
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 855, V 441

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 855

Cancioneiro da Vaticana - V 441


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas