Mendinho


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 Sedia-m'eu na ermida de Sam Simion
e cercarom-mi as ondas, que grandes som!
        Eu atendendo meu amig', eu a[tendendo].
  
Estando na ermida ant'o altar
5[e] cercarom-mi as ondas grandes do mar.
       Eu atendendo meu amig', eu a[tendendo].
  
E cercarom-mi as ondas, que grandes som!
Nom hei [eu i] barqueiro nem remador.
       Eu atendendo meu amig', eu a[tendendo].
  
10E cercarom-mi [as] ondas do alto mar;
nom hei [eu i] barqueiro nem sei remar.
       Eu atendendo meu amig', eu a[tendendo].
  
Nom hei [eu] i barqueiro nem remador
[e] morrerei fremosa no mar maior.
15       Eu atendendo meu amig', eu a[tendendo].
  
Nom hei [eu i] barqueiro nem sei remar
e morrerei fremosa no alto mar.
       Eu atendendo meu amig', eu a[tendendo].



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Nota geral:

Sendo a única composição de Mendinho que nos chegou, esta é seguramente uma das mais célebres cantigas de amigo de toda a lírica galego-portuguesa. Construída com base na estrutura tradicional do paralelismo com leixa-pren, o seu resumo também parece simples: na ermida de S. Simion, a moça esperava o seu amigo, que tardava a chegar; subindo entretanto a maré, ela vê-se cercada pelas ondas e teme morrer, pois não tem barqueiro para a socorrer, nem saber remar.
A força poética desta cantiga reside em grande parte no modo como Mendinho nos consegue transmitir, a partir desta estrutura tão simples, o desamparo e a inquietação da moça, sozinha na pequena ilha, e tão receosa com a subida das ondas como com a possibilidade de o seu amigo faltar ao encontro - o que ela, note-se, nunca diz explicitamente. Neste sentido, a maré que sobe identifica-se, simbolicamente, com o seu estado anímico: de paixão, de desejo e de frustração. As grandes ondas onde receia morrer.
De resto, este clima emocional é ainda potenciado pela ambiguidade dos tempos verbais utilizados ao longo das estrofes (do imperfeito para o presente e futuro), e que deixam a cena suspensa num tempo de enunciação indeterminado: estará a moça a recordar-se de um episódio passado (como poderíamos inferir do uso do passado nas duas primeiras estrofes)? Nesse caso, como entender a mudança para o presente (nom hei) e para o futuro (morrerei) nas restantes estrofes?



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão e Paralelística
Cobras alternadas
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 852, V 438
(C 852)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 852

Cancioneiro da Vaticana - V 438


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Cantar de amigo 

Versões de Frederico de Freitas

Cercaram-me as ondas      versão audio disponível

Versão de Pedro Barroso

Sedíame eu na ermida de San Simón      versão audio disponível

Versão de Amancio Prada

Ermida de S.Simeão      versão audio disponível

Versão de Alain Oulman, Amália Rodrigues

Cantar de amigo 

Versão de Tomás Borba

Sedíam'eu na ermida de San Semión      versão audio disponível

Versão de Carlos Castro, Fernando Reyes Ferrón, Paulina Ceremużyńska

San Simón      versão audio disponível

Versão de Los Watios

Sediam'eu na ermida de San Simón      versão audio disponível

Versão de Xoán Eiriz

Sediame eu na ermida de San Simion      versão audio disponível

Versão de DOA

Cantigas do Mar: Sedia m'eu na ermida de San Simhon      versão audio disponível

Versão de Ivan Moody