Vasco Peres Pardal


Amigo, vós ides dizer
que vos nom quero eu fazer bem,
 pero sei-m'eu dest'ũa rem:
que dizedes vosso prazer;
 5       ca bem é de vos sofrer eu
       de dizerdes ca sodes meu.
  
Mais nom se sabe conhocer
algum home a que bem Deus dá,
nem tem por bem esto que há;
10mais eu vos farei entender
       ca bem é de vos sofrer eu
       de dizerdes ca sodes meu.
  
Mais, des que vos eu entender
que nom venhades u eu for,
15nem me tenhades por senhor,
des i poderedes saber
       ca bem é de vos sofrer eu
       de dizerdes ca sodes meu.



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Nota geral:

Se o seu amigo anda a dizer que ela não lhe quer fazer bem, a donzela informa-o de que anda a dizer tolices, já que considera um grande bem suportar que ele se diga seu (amigo). Um homem que não sabe reconhecer o bem que Deus lhe dá é um insensato. De modo que, se ela eventualmente o proibir de aparecer onde estiver e decidir não ser mais sua senhora, aí ele já reconhecerá o bem que presentemente lhe faz.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras rima a uníssona, rima b singular
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 823, V 408

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 823

Cancioneiro da Vaticana - V 408


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas