Mem Vasques de Folhente


Ai amiga, per boa fé,
nunca cuidei, des que naci,
viver tanto como vivi:
aqui, u meu amigo é,
5non'o veer nem lhi falar;
e havê-lo eu muit'a desejar.
  
E, se nom, Deus nom mi perdom
se m'end'eu podesse partir,
tanto punha de me servir
10o senhor do meu coraçom,
meu amigo que est aqui,
a que quis bem des que o vi.
  
 E querrei já, mentr'eu viver,
(esso que eu de viver hei);
15[e] de meu amigo bem sei
que nom sab'[e] al bem querer
senom mi, e mais vos direi:
sempre lh'eu por ende melhor querrei
  
ca lhi quer[o], e Deus poder
20mi dé de com el[e] viver.



 ----- Aumentar letra ----- Diminuir letra

Nota geral:

A donzela confessa a uma amiga que nunca pensou poder suportar viver perto do seu amigo, desejá-lo profundamente, mas não o poder ver, como acontece. Sobretudo porque está certa de que ele só a ela ama e serve. No final, expressa o desejo de poderem finalmente estar juntos.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Mestria
Cobras singulares
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 802, V 386
(C 802)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 802

Cancioneiro da Vaticana - V 386


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas