Pero Gomes Barroso


Amiga, quero-vos eu já dizer
o que mi diss[e] o meu amigo:
que morre quando nom é comigo,
cuidando sempre no meu parecer;
5       mais eu nom cuido, se el cuidasse
       em mi, que tanto sem mi morasse.
  
Nunca lhi já creerei nulha rem,
pois tanto tarda, se Deus mi perdom,
e diz ca morre desto, ca d'al nom,
10cuidand'em quanto mi Deus fez de bem;
       mais eu nom cuido, se el cuidasse
       em mi, que tanto sem mi morasse.
  
Porque tam muito tarda desta vez,
 seu pouc'e pouco se vai perdendo
15comig', e diz el que jaz morrendo,
cuidand'em quam fremosa me Deus fez;
       mais eu nom cuido, se el cuidasse
       em mi, que tanto sem mi morasse.
  
E nom sei rem porque el ficasse
20que nom veesse, se lh'eu nembrasse.



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Nota geral:

A donzela conta a uma amiga que o seu amigo lhe disse que, quando está longe, morre, pensando continuamente nela e na sua beleza. Mas a donzela não acredita, pois, se ele pensasse realmente nela, não ficaria tanto tempo por lá. E, como ele se demora tanto desta vez, a pouco e pouco ela vai mudando de ideias a seu respeito (ele arrisca-se a ficar sem ela).



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 732, V 333
(C 732)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 732

Cancioneiro da Vaticana - V 333


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas