Vasco Praga de Sandim


 Tanto me senç'ora já coitado
que eu bem cuido que poder
nom haja rem de me valer;
  ca esta coita, mao pecado!,
5tal me tem já que nom hei sem
de me temer de nẽum mal,
nem ar desejar nẽum bem!
  
E pero nunca foi en pensado
que podess'eu per rem veer
10o que me faz tal coit'haver,
por que em esto sõo chegado.
E inda vos mais direi en:
nunca del prix, por quanto mal
eu por el prendo, nẽum bem.
  
 15Ca nunca eu vi, des que fui nado,
Amor, nem prendi del prazer,
nen'o cuido nunca prender
 del nem d'al, ca nom é já guisado.
 E Amor, de pram, m'em guisa tem
20que me nom pode nuzer mal
deste mundo, nem prestar bem.
  
E assi faz-mi, desamparado,
Amor eno mundo viver,
de quanto bem Deus quis fazer;
 25e per bõa fé, já pelo grado
da senhor, por que m'est'avém,
seu amor nom faria mal
a nulh'home nado, nem bem.



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Nota geral:

O trovador sente-se tão mal, que já tudo lhe é indiferente, quer o bem, quer o mal. Garantindo que nunca pensou chegar a tal situação, diz que, se nunca do Amor recebeu qualquer prazer, nem espera receber, é ele a causa desse estado de indiferença em que vive. Na estrofe final, faz questão em sublinhar, no entanto, que a sua senhora não é a culpada por tal situação, mas sim o Amor.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras uníssonas
Palavra(s)-rima: mal (v. 6 de cada estrofe); bem (v. 7 de cada estrofe)
Palavra perduda: v. 7 de cada estrofe
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 11, B 101

Cancioneiro da Ajuda - A 11

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 101


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas