Vasco Praga de Sandim


Se Deus me valha, mia senhor,
de grado querria saber
se havedes algum sabor
em quanto mal m'ides fazer;
 5ca se sabor havedes i,
 gram bem per éste pera mi.
Mais, poil'eu nom sei, que me val?
  
E seed'ora sabedor
do que vos eu quero dizer:
10ca me seria mui melhor
de sempre de vós mal prender,
se sabor houvéssedes i,
ca de prender já sempr'assi
de vós bem, se vos foss'en mal.
  
15E quem mi a mi por de mal sem,
mia senhor, por esto tever,
direi-lh'eu que faça por en:
nom faç'assi, se nom quiser!
Ca já eu sempre guardar-m'-ei
20d'haver mais bem do que hoj'hei,
se per vosso mandado nom.
  
E Deus nunca me nẽum bem
 dê, se end'a vós nom prouguer
- ca nom fará per nulha rem,
25se o ant'eu saber poder.
Ca de tal bem eu guardar-m'-ei,
e com mia coita me querrei
compõer com meu coraçom.



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Nota geral:

O trovador pergunta à sua senhora se tem prazer no mal que lhe faz, até porque, se é esse o caso, então ele só pode aceitar e achar bem. Mas como não o sabe, esse mal não lhe adianta. Gostaria, no entanto, de sublinhar uma coisa: para ele seria sempre melhor ela fazer-lhe mal e ter prazer com isso, do que fazer-lhe bem e sentir-se mal. E a quem o considerar insensato por isto, ele só poderá responder que não proceda assim, se não quiser. Quanto a ele, recusará sempre pedir-lhe mais do que já tem, se essa não for a sua vontade. Apenas quererá o que lhe der prazer, e recusará sempre sarar as feridas do seu coração à custa do mal dela.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras doblas
Palavra(s)-rima: i, guardar-m'-ei (v. 5 de cada estrofe)
Palavra perduda: v. 7 de cada estrofe
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 8, B 98

Cancioneiro da Ajuda - A 8

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 98


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas