Vasco Praga de Sandim


Como vós sodes, mia senhor,
mui quite de me bem fazer,
 assi m'ar quit'eu de querer
al bem, enquant'eu vivo for,
5senom vós. E sei ũa rem:
se me vós nom fazedes bem,
nem eu nom vos faço prazer.
  
E per bõa fé, mia senhor,
por quite me tenh'eu d'haver
10vosso bem, enquant'eu viver,
 nem al em que haja sabor.
 Mais vós em preito sodes en,
 ca me vos nom quit'eu por en
de vosso vassalo seer.
  
15E quant'eu prendo, mia senhor,
de vós, quero-vo-lo dizer:
hei mui gram coita de sofrer,
ca nom prendo de vós melhor.
E pois mi assi de vós avém,
20home seria eu de mal sem,
se nom punhass'em vos veer.



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Nota geral:

O trovador diz à sua senhora que, tal como ela está muito longe de o querer favorecer, também ele está muito longe de deixar de lhe querer bem acima de todas as coisas. Sabe, portanto, que, tal como ela não lhe concede o seu favor, também ele não lhe dá prazer (porque o amor dele pesa à senhora). E se ele há muito desistiu de obter esse favor dela, ela teria a obrigação de lhe valer, pois ele não desiste de ser seu vassalo (o trovador alude aos deveres feudais dos senhores). Tudo o que ela lhe dá, no entanto, é o enorme sofrimento que sente. Mas ele não desiste de tentar sempre vê-la (esperando que cumpra as suas obrigações).



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras uníssonas
Palavra(s)-rima: mia senhor (v. 1 de cada estrofe)
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 6, B 96

Cancioneiro da Ajuda - A 6

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 96


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas