Vasco Praga de Sandim


Quem hoje maior coita tem
d'amor eno seu coraçom
de quantos del cuitados som,
Nostro Senhor lhe ponha i
5conselho, se a El prouguer,
atal per que lha tolha en.
  
E creed'ora ũa rem:
ca nom é outre se eu nom,
que mi a tive dê'la sazom
10que eu primeiramente vi,
per bõa fé, atal molher,
que dá mui pouc'ora por en.
  
 Mais pero, enquant'eu viver,
sempre a já mais amarei
15doutra cousa, e rogarei,
o mais que eu poder rogar,
a Deus que El mi a leix'oir
falar e mi a leixe veer.
  
E se o Ele quiser fazer
20log'eu coita nom sentirei;
ca ainda vos mais direi:
logo mi haverei a quitar
de nunca já coita sentir
enos dias que eu viver.



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Nota geral:

Abrindo com uma afirmação generalista, o trovador exprime o desejo de que Nosso Senhor acabe com o sofrimento de todo aquele que padece de amor. Como é o seu caso, visto que sofre desde o dia que conheceu uma mulher que pouco se importa com esse mesmo sofrimento. Garante, no entanto, que sempre a amará acima de todas as coisas e que pedirá a Deus que lhe permita ouvi-la e vê-la. E se Ele lhe conceder essa graça, logo terminará o seu sofrimento, nesse momento e nos dias em que viver.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras doblas
Palavra perduda: vv. 4 e 5 de cada estrofe
(Saber mais)


Fontes manuscritas

A 4, B 94

Cancioneiro da Ajuda - A 4

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 94


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas