D. Dinis

Rubrica:

E em [e]sta folha adeante se començam as cantigas d'amigo que o mui nobre Dom Denis Rei de Portugal fez


Bem entendi, meu amigo,
que mui gram pesar houvestes
quando falar nom podestes
vós noutro dia comigo,
5mais certo seed', amigo,
       que nom fui o vosso pesar
       que s'ao meu podess'iguar.
  
Mui bem soub'eu por verdade
que érades tam coitado
10que nom havia recado,
mais, amigo, acá tornade:
sabede bem por verdade
       que nom fui o vosso pesar
       que s'ao meu podess'iguar.
  
15Bem soub', amigo, por certo
que o pesar daquel dia
vosso, que par nom havia,
 mais pero foi encoberto,
e por en seede certo
20       que nom fui o vosso pesar
       que s'ao meu podess'iguar.
  
 Ca o meu nom se pod'osmar,
nem eu non'o pudi negar.



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Nota geral:

Dirigindo-se ao seu amigo, com quem não se tinha podido encontrar num dia anterior, a donzela garante-lhe que a tristeza que ele sentiu não se pode comparar com a dela. Pedindo-lhe para voltar, explica ainda o motivo pelo qual o seu sofrimento foi maior: é que ele conseguiu escondê-lo e ela não,
Como indica a rubrica, esta é a primeira cantiga de amigo de D. Dinis transcrita pelos apógrafos italianos.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amigo
Refrão
Cobras singulares
Dobre: amigo, verdade, certo (vv. 1 e 5 de cada estrofe)
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 553, V 156
(C 553)

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 553

Cancioneiro da Vaticana - V 156


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Bem entendi, meu amigo       versão audio disponível

Versão de Victor Macedo Pinto

Bem entendi meu amigo (versão para canto e piano/harpa) 

Versões de Tomás Borba