D. Dinis


Que mui gram prazer que eu hei, senhor,
quand'em vós cuid'e nom cuido no mal
que mi fazedes! Mais direi-vos qual
 tenh'eu por gram maravilha, senhor:
5       de mi viir de vós mal, u Deus nom
       pôs mal, de quantas eno mundo som.
  
E, senhor fremosa, quando cuid'eu
em vós e nom eno mal que mi vem
por vós, tod'aquel temp'eu hei de bem;
10mais por gram maravilha per tenh'eu
       de mi viir de vós mal, u Deus nom
       pôs mal, de quantas eno mundo som.
  
Ca, senhor, mui gram prazer mi per é
quand'em vós cuid'e nom hei de cuidar
15em quanto mal mi fazedes levar;
mais gram maravilha tenh'eu que é
       de mi viir de vós mal, u Deus nom
       pôs mal, de quantas eno mundo som.
  
 Ca, par Deus, semelha mui sem razom
20d'haver eu mal d'u o Deus nom pôs, nom.



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Nota geral:

O trovador tem prazer em pensar na sua senhora, esquecendo o mal que ela lhe faz. Mas admira-se por esse mal ter origem em alguém que Deus fez isento de mal.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Refrão
Cobras singulares
Dobre: senhor, eu, é (vv. 1 e 4 de cada estrofe)
Finda
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 527, T 4, V 110

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 527

Cancioneiro da Vaticana - V 110

Pergaminho Sharrer - T 4


Versões musicais

Originais

IV. Que mui gran prazer que eu ei, senhor      versão audio disponível

Versões de D. Dinis

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas