D. Dinis


Ũa pastor se queixava
muit'estando noutro dia
e sigo medês falava
e chorava e dizia
5com amor que a forçava:
"Par Deus, vi-t'em grave dia,
       ai amor!"
  
Ela s'estava queixando
 come molher com gram coita
10e que a pesar, des quando
nacera, nom fora doita;
por en dezia chorando:
"Tu nom és senom mia coita,
       ai amor!"
  
15Coitas lhi davam amores,
que nom lh'eram senom morte;
e deitou-s'antr'ũas flores
e disse com coita forte:
"Mal ti venha per u fores,
20ca nom és senom mia morte,
       ai amor!"



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Nota geral:

Pastorela na qual o trovador, descreve, apenas como espetador (sem nunca intervir), as reações de uma pastora apaixonada. O retrato é o de uma donzela lamentando-se e chorando, até porque pouco habituada a mágoas de amor, e que acaba, prostrada, por se deitar "entre umas flores".



Nota geral


Descrição

Pastorela
Refrão
Cobras singulares
Dobre: dia, coita, morte (vv. 2 e 6 de cada estrofe)
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 519, V 102

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 519

Cancioneiro da Vaticana - V 102


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Ua pastor se queixava 

Versão de Fernando Corrêa de Oliveira

Unha pastor se queixava       versão audio disponível

Versão de Victor Macedo Pinto