D. Dinis


Como me Deus aguisou que vivesse
 em gram coita, senhor, des que vos vi!
 Ca logo m'El guisou que vos
 falar; des i quis que er conhocesse
5o vosso bem, a que El nom fez par;
e tod'aquesto m'El foi aguisar
em tal que eu nunca coita perdesse.
  
E tod'est'El quis que eu padecesse
por muito mal que me lh'eu mereci,
10e de tal guisa se vingou de mi;
e com tod'esto nom quis que morresse,
porque era meu bem de nom durar
em tam gram coita nem tam gram pesar;
mais quis que tod'este mal eu sofresse.
  
15Assi nom er quis que m'eu percebesse
de tam gram meu mal, nen'o entendi,
ante quis El que, por viver assi
e que gram coita nom mi falecesse,
que vos viss'eu, u m'El fez desejar
20des entom morte, que mi nom quer dar,
 mais que, vivend', o peior atendesse.



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Nota geral:

Fazendo com que o trovador visse a sua senhora, depois a ouvisse falar e percebesse as suas qualidades, Deus quis dar-lhe sofrimento sem fim, decerto em paga dos seus erros. Só não lhe quer dar a morte, porque prefere que ele sofra e espere sempre o pior.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras uníssonas
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Fontes manuscritas

B 503, V 86

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 503

Cancioneiro da Vaticana - V 86


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas