D. Dinis


Se hoj'em vós há nẽum mal, senhor,
mal mi venha d'Aquel que pod'e val,
senom que matades mi, pecador,
que vos servi sempr'e vos fui leal
5e serei já sempr'enquant'eu viver;
e, senhor, nom vos venh'esto dizer
polo meu, mais porque vos está mal.
  
 Ca, par Deus, mal vos per está, senhor!
 Des i é cousa mui descomunal
10de matardes mim, que merecedor
 nunca vos foi de mort'; e pois que al
de mal nunca Deus em vós quis poer,
por Deus, senhor, nom queirades fazer
em mim agora que vos estê mal.



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Nota geral:

Dirigindo-se à sua senhora, o trovador considera que nela não encontra qualquer mal (defeito), salvo o de matar injustamente um servidor tão leal como ele. E não o diz para ganhar dela qualquer vantagem, mas apenas porque pensa que isso lhe fica mal. Pede-lhe, pois, que reconsidere, não querendo fazer com ele algo que não está de acordo com as suas imensas qualidades.



Nota geral


Descrição

Cantiga de Amor
Mestria
Cobras uníssonas
Palavra(s)-rima: senhor (v. 1 de cada estrofe), mal (v. 7)
(Saber mais)


Fontes manuscritas

B 499, V 82

Cancioneiro da Biblioteca Nacional - B 499

Cancioneiro da Vaticana - V 82


Versões musicais

Originais

Desconhecidas

Contrafactum

Desconhecidas

Composição/Recriação moderna

Desconhecidas